sexta-feira, 11 de março de 2011

Sinal verde para a ovinocultura

Forte demanda pressiona investimentos na criação de ovinos.

O maior interesse do brasileiro pelo consumo de carne de cordeiro, aliado a baixa nas importações uruguaias e a falta do produto nas gôndolas, vem estimulando a ovinocultura em todo País. Com a elevação dos preços pagos pelo quilo do animal, observa-se certa movimentação no mercado, com criadores consolidando projetos para se tornarem mais rentáveis. “Hoje, o consumo per capita de carne de cordeiro gira em torno de 400 gramas por habitante, estatística que poderia seria bem diferente se houvesse produção em escala. Essa agitação no mercado do cordeiro, com certeza, deve estimular a cadeia produtiva, dando início a uma fase de transformação na ovinocultura brasileira”, afirma Lucas Heymeyer, da Dorper Campo Verde, de Jarinu (SP).

Com uma plantel de 1.500 animais, a Campo Verde mira seus investimentos no mercado genético, com um programa de seleção dedicado aos ovinos sul-africanos Dorper e White Dorper. Segundo Heymeyer, esses animais atendem o mercado, principalmente se tratando de rusticidade, conversão alimentar, rendimento de carcaça, ganho de peso, fertilidade e precocidade. A propriedade iniciou suas atividades 2006 e hoje detém a maior reserva genética dessas raças no País, com mais de 5.000 embriões importados. “O Dorper e o White Dorper respondem muito bem às condições de criação no Brasil. Existe forte demanda para essas raças, com grande valorização para animais de elite e também reprodutores e matrizes comerciais”, relata.

Criador de ovinos de corte há três anos, com propriedade em Santa Salete (SP), o dono de funerária Sebastião Pires Cunha recentemente deu início a um projeto inovador para aumentar a oferta de animais para abate, que prevê a concentração de 200 matrizes na propriedade. Quando iniciou criação, tinha pouco conhecimento sobre as exigências dos ovinos, simplesmente os comprava e soltava no pasto sem nenhum controle. Hoje, sua realidade é muito diferente. “Com apoio de empresas já consolidadas, me profissionalizei e passei a investir em genética e em tecnologias para agregar valor ao produto final”, explica Cunha, ressaltando que deveria existir uma diferenciação de preço para animais de qualidade superior. “Hoje, tem muita gente que vende animais velhos como se fossem cordeiro”, complementa. Em busca de maior lucratividade, o criador está investindo na formação de um confinamento para 1.200 animais.

Até mesmo em regiões tipicamente dedicadas a outras atividades pecuárias, como a bovinocultura de corte, a ovinocultura vem se firmando como empreendimento. Em Goiás, por exemplo, a Cava Cordeiro vem desenvolvendo um projeto audacioso para fornecer carne de qualidade ao mercado. A empresa processa e comercializa a própria produção no varejo, oferecendo 20 cortes especiais, além de peças temperadas e embutidos, como linguiça e hamburguer. “Em Goiás, não existia uma cadeia produtiva, então, tivemos de criar nossa própria indústria para sobreviver na atividade”, afirma André Luís Rocha, técnico da Cava Cordeiro.

A empresa trabalha em parceria com outros criadores da região em busca de maior produção, que recebem os mesmos preços de São Paulo, um dos mais altos em todas as praças. O projeto visa à produção de cordeiros precoces, com rendimento de carcaça superior a 48%, provenientes de acasalamentos com reprodutores Dorper e White Dorper, abatidos ainda jovens, com até 6 meses de idade, e média de 35 quilos de peso vivo. “Hoje, muitos criadores até tem volume, mas falta qualidade. Essa é uma de nossas principais preocupações dentro do processo de criação. A falta de mão de obra especializada e tecnificação por parte de muitos criadores, aliado ao amadorismo, são alguns dos principais entraves que impedem o desenvolvimento da ovinocultura de corte”, relata Rocha.
Em Manaus, onde as novas leis ambientais determinam que 80% das áreas devam ser preservadas, investidores também estão apostando na ovinocultura como alternativa de renda. É o caso da Amazônia Ovinos, detentora de um rebanho de 900 animais. “Quando o Uruguai dominava a maior parte desse mercado, tínhamos de ser competitivos, algo impraticável pela diferença dos custos de produção entre os dois países. O cenário está se modificando aos poucos, inclusive aqui no Amazonas, devido à forte demanda de consumidores”, afirma Renato Rigoni Júnior, médico-veterinário e gerente da propriedade. A propriedade também está prosperando na seleção genética, uma das pontas do projeto, ofertando animais de maior carga genética. Até o final de 2012 a propriedade deve chegar a 1.200 matrizes de corte.

Para o empresário Leandro Motta, dono da rotisserie Vila dos Sabores, em Itatiba
(SP), muitas pessoas que tinham resistência à carne de cordeiro estão se surpreendendo com o sabor acentuado. Em seu estabelecimento, incluiu no cardápio receitas à base de cordeiro, como paleta assada com pesto de nozes e hortelã, picadinho e esfihas, agradando o paladar sofisticado dos clientes. Hoje, já não consegue dar conta da demanda. “Algumas vezes até deixamos de vender por falta de matéria-prima”, relata Motta. Para atender os padrões de qualidade dos clientes, toda a carne comercializada em seu estabelecimento provém de um frigorífico homologado com o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), onde são obtidos somente animais de fazendas que trabalham com a raça Dorper. “Nossos clientes reconhecem a qualidade de nossas matérias-primas e dos processos que utilizamos na preparação dos pratos”, finaliza.

ATENDIMENTO À IMPRENSA
Pec Press - Imprensa Agropecuária
Adilson Rodrigues - Jornalista Responsável (Mtb 52.769)
Robson Rodrigues - Coordenação e Atendimento
Telefones: (11) 3876-8648 / 8236-6923
adilson@pecpress.com.br e robson@pecpress.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário