sábado, 7 de julho de 2012

Artigo: Dorper e White Dorper, opções para rentabilidade na ovinocultura

Por Carlos Vilhena Vieira

Criada pelos colonizadores ingleses na África do Sul, em meados de 1940, a raça Dorper conquistou ovinocultores em todo mundo, principalmente aqui no Brasil, que já conta com um plantel de 40 mil animais registrados. Surgiu após uma década de pesquisas, a partir da necessidade de uma espécie que fosse eficiente na produção de carne e, ao mesmo tempo, resistisse às intempéries regionais, como baixa oferta de alimentos e o clima semidesértico. Os trabalhos se afunilaram com os cruzamentos entre o Blackhead Pérsian, raça nativa tolerante ao calor, com a britânica Dorset Horn, produtora de uma carne de excelente qualidade. Em geral, os produtos meio-sangue apresentavam o corpo branco e a cabeça preta (Dorper), entretanto, em duas ou três gerações, surgiriam animais totalmente brancos, mas com as mesmas características comerciais. Os brancos passaram a ser chamados White Dorper, assim como os borregos oriundos da cruza entre o Dorset Horn e o Van Rooy, outra raça indígena muito semelhante ao Blackhead Persian. 
A única diferença entre ambas é que o White Dorper (os animais brancos) é um pouco mais comprido e possui uma distribuição de gordura mais equânime, enquanto que o Dorper apresenta um pequeno acúmulo na região da calda e no peito, herança do seu ancestral da região. Se tratando de fertilidade, precocidade, ganho de peso, adaptabilidade e velocidade de terminação de carcaça, não há distinção entre eles.A única diferença entre ambas é que o White Dorper (os animais brancos) é um pouco mais comprido e possui uma distribuição de gordura mais equânime, enquanto que o Dorper apresenta um pequeno acúmulo na região da calda e no peito, herança do seu ancestral da região. Se tratando de fertilidade, precocidade, ganho de peso, adaptabilidade e velocidade de terminação de carcaça, não há distinção entre  eles.
Atualmente, estão distribuídos em todos os estados, principalmente no Norte e Nordeste, respondendo por animais que vão cedo para o gancho. O Sudeste vem se destacando como polo de excelência genética e fornecedor de reprodutores comerciais para serviço de campo, enquanto que no Sul, os criadores usam principalmente o White Dorper para agregar valor de carcaça às raças lanadas, com pouco prejuízo na qualidade de lã. Já no Centro-Oeste, onde a ovinocultura encontra as melhores condições para produção em larga escala, sua participação ainda é tímida, mas a perspectiva de crescimento é imensa. Os preços aquecidos para a carne de cordeiro também ajudam a explicar a preferência por estas raças. O consumo per capita, que gira em torno de 700 gramas/habitante/ano, está abaixo da média mundial - 2 quilos -, e há um déficit de 80 mil toneladas/ano, que representa 10% do nosso consumo. Com um rebanho de 16 milhões de ovinos, a produção sequer arranha a demanda e nos mantém dependentes de países como Austrália, Novas Zelândia e Uruguai, esse último nosso principal fornecedor. Cerca de 80% de toda carne que levamos à mesa vem do vizinho com abate controlado, que recentemente passou a direcionar grande parte de sua produção a outros mercados, tornando o produto ainda mais escasso no Brasil. Se de um lado há pouca produção, do outro, surge uma oportunidade de negócio a ser considerada pelos investidores. Hoje, o mercado paga quase o triplo do que pagava pelo quilo de cordeiro há dois anos e esse cenário deve prosseguir. Com melhor margem de renda, aumentaram os investimentos em genética, nutrição e sanidade e começam a surgir projetos audaciosos, alguns com mais de 10 mil ovelhas, um sinal evidente da transformação da ovinocultura. 
Assim como o Angus agrega valor de carcaça ao gado Nelore na bovinocultura de corte, o Dorper e o White Dorper aumentam o rendimento de carcaça, precocidade em ganho de peso, diminuição no tempo de abate e a qualidade da carne das raças ovinas já fixadas. Quem usa animais puros nos cruzamentos consegue abater cordeiros entre os 100 e 150 dias, com até 40 quilos de peso vivo, perfil que garante o tipo de corte ideal. Creio que, em breve, seremos autossuficientes em produção e as raças Dorper e White Dorper desempenharão um papel fundamental nesse processo, pela capacidade de gerar ganhos de até 25% em toda a cadeia de criação até o abate, devido a qualidade da raça e a heterose. Assim como o Angus agrega valor de carcaça ao gado Nelore na bovinocultura de corte, o Dorper e o White Dorper aumentam o rendimento de carcaça, precocidade em ganho de peso, diminuição no tempo de abate e a qualidade da carne das raças ovinas já fixadas. Quem usa animais puros nos cruzamentos consegue abater cordeiros entre os 100 e 150 dias, com até 40 quilos de peso vivo, perfil que garante o tipo de corte ideal. Creio que, em breve, seremos autossuficientes em produção e as raças Dorper e White Dorper desempenharão um papel fundamental nesse processo, pela capacidade de gerar ganhos de até 25% em toda a cadeia de criação até o abate, devido a qualidade da raça e a heterose.
Os primeiros exemplares da raça Dorper chegaram ao Brasil há 20 anos, embriões importados pelo Centro de Pesquisa EMEPA e os nascimentos foram leiloados aos criadores nordestinos. Estes foram cruzados com raças lanadas e semideslanadas e os resultados surpreenderam. A heterose gerou cordeiros que, ainda jovens, apresentam um excelente desempenho de carcaça e, desde então, começaram a surgir projetos especializados na seleção genética. Dorper e White Dorper são, até o momento, as únicas raças no Brasil criadas e selecionadas exclusivamente para produzir carne de alta qualidade.

* Carlos Vilhena Vieira é Engenheiro Agrônomo e gerente da Dorper Campo Verde, de Jarinu (SP). Contato pelo telefone (11) 2626-9491 ou pelo e-mail carlosvilhena@dorpercampoverde.com.br

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